quinta-feira, 31 de março de 2011

Ai deles! (Pr. José Vilandi)

"Ai deles! Porque foram pelo caminho de Caim, e por amor do lucro se atiraram ao erro de Balaão, e pereceram na rebelião de Coré." (Judas 1:11).
Na língua portuguesa temos varias classificações gramaticais entre elas a interjeição que significa:  voz, palavra ou locução que indica sentimentos súbitos, espontâneos. AQUI SOMENTE PARA LEMBRAR O QUE É subjetivo (que passa no interior do espírito de uma pessoa).
Ai, indica fúria, juízo. O próprio Deus revelando o que esta dentro Dele, quando o homem prática a heresia.
Caminho neste texto indica escolhas, atitudes, opção. O caminho usado por esses homens, é mencionado com um mau exemplo, cuja ações não devemos emular. Esses personagens representam obreiros desviados, presunçosos e interesseiros, que jamais deveriam ter recebido autoridade, no seio da Igreja Cristã.

1) Caim (lança).
Foi o filho mais velho de Adão e Eva (Gn 4.1) Tragicamente, foi o primogênito da raça humana, de acordo com a narrativa sobre a raça adâmica; e também o primeiro assassino e fratricida.
Vejamos (Gn.4:4,5,6,7,8).
a) Motivação errada, na questão da oferta. Em Hebreus 11:4 se afirma que foi a fé que Abel tinha que tornou sua oferta agradável.
b) Ira;
c) desejo errado;
d) Falta de temor; quando o Senhor perguntou sobre seu irmão (v.9). Mostrando a natureza egoísta do homicida. Pois a lei do amor leva-nos a cuidar uns dos outros, como cuidamos, cada um, de nós mesmo. Negar que sou o guardador de meu irmão é negar a essência da lei do amor. A voz de Abel clamava no solo. Isso demonstra que os atos pecaminosos não podem ser ocultados.
d) Obras Más (1 Jo 3:12)

2) Balaão:
 No hebraico, o termo tem sentido desconhecido, embora talvez signifique devorador;. Balaão foi um advinho pagão que vivia Petor (Dt 23:4).
Vejamos (Nm 22, 23, 24, 25). No NT encontram-se varias interpretações dos atos de Balaão vinculadas a lições espirituais.
a) Comercialização do dom (2 Pd 2:15). Trata-se da comercialização do dom profético, ou, de maneira mais geral, o dinheiro e outras vantagens materiais exageradas, adquiridos mediante a comercialização da religião.
b) Ensino enganoso (Ap 2:14)

3) Coré (Corá)
No hebraico significa Calvo; foi nome de quatro ou cinco pessoas referidas na Bíblia a saber: 1. o terceiro filho de Esaú e sua concubina cananéia (Gn 36:5); 2. O filho de Elifaz, filho de Esaú e Ada (Gn 36:16); 3. Um filho de Hebrom (1 Cr 2:43); 4. Um neto de Coate e antepassado de um grupo de músicos sacros (filhos de coré), aos quais são atribuídos os Salmos 42,11 e outros (1 Cr 6:22). 5. Um levita, coatita da casa de Izar e que talvez deva ser identificado com o Coate de número 4, acima. Ele era filho de Jizar e neto de Coate (Ex 6:21,24). Esteve envolvido em uma conspiração contra Moises e Arão, juntamente com Datã, seu irmão Abirão e cerca de outros duzentos e cinqüenta homens, que lhes davam apoio. O relato esta no capitulo dezesseis (16), do livro de números.
Vejamos:
As acusações:
a) Coré e seus associados acusaram Móises de exaltar-se aos olhos do povo;
b) Usurpar privilégios e poderes acima do que era próprio;
c) De não cumprir a promessa de levá-los a terra prometida;
Defesa de Móises:
a) que eles estavam a cata de poder;
b) queriam controlar o sacerdócio e os Ministros do Senhor. Provavelmente o antigo motivo da inveja também estivesse por detrás do caso.
A reação
a) Moises ficou consternado diante da rebelião;
b) prostou-se com o rosto em terra.
c) deixou a questão aos cuidados do Senhor;
d) desafiou os rebeldes a virem conferenciar com ele, a entrada da congregação.
e) cada homem deveria tomar incensário para oferecer incenso ao Senhor.
f) Datã e Abirã recusaram-se a ir ao encontro de Moises;
g) No dia seguinte os rebeldes apresentaram-se diante do tabernáculo.
A destruição:
a) A congregação inteira de Israel reuni-se para ver o espetáculo, por instigação de coré.
b) A gloria do Senhor apareceu, e uma voz ordenou que Moises e Arão se separassem da congregação de Israel.
c) Todos os Israelitas estavam prestes a serem destruídos por darem apoio a uma causa injusta.
d) Porem Moises ordenou que os Israelitas abandonassem o lugar. E eles retrocederam.
e) Em seguida, Moises rogou ao Senhor que perdoasse o povo,e também resolvesse a questão.
f) Então a terra abriu-se sob as tendas de coré, datã e abirã e fechou em seguida.
g) os 250 rebelados, que provavelmente permaneceram diante do tabernáculo, foram consumido pelo fogo do Senhor.
h) Subseqüentemente, os incensários usados pelos rebeldes, foram transformados em placas para formarem uma cobertura exterior para o altar, como advertência do fim de todos os rebeldes contra o Senhor.
De forma conclusiva entendemos que essa mensagem revela o castigo Divino reservado aos falsos mestres. Todo o cuidado é pouco, a heresia é tão nociva como qualquer outro pecado. Não vamos ser influenciados pelos modismos evangélicos dos dias atuais. Precisamos estar alertas!

A Pedagogia de Jesus


Neste momento, onde nesse encontro nos reunimos aqui para louvarmos a Deus num culto festivo, em comemoração ao Dia da educação Cristã, o Dia do Homem Batista  e também alusivo ao Dia do Pastor. Eu quero convidar os irmãos a pensar comigo no sentido de avaliarmos nossas vidas como educadores. Educadores que somos apesar de nós, em todos os momentos e nos mais diferentes ofícios e responsabilidades, olhando para Jesus o nosso Mestre e observando através de sua pedagogia, primeiramente três elementos essenciais para desenvolvermos uma pedagogia com excelência, uma pedagogia segundo o coração de Deus.

1 - O Primeiro elemento a ser avaliado é a vida.( a vida do Educador) Quem é que esta nos ensinado, qual o seu caráter, como é a sua vida no dia a dia, como é o seu testemunho? Em 3.2 a palavra nos revela como os discípulos viam, enxergavam Jesus. “Rabi, sabemos que é mestre vindo da parte de Deus”
Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou.”Jô 13.13 Precisamos avaliar nossas vidas acerca de quem somos, e como estamos andando, pois, isso fala muito mais alto do que imaginamos.As nossas atitudes falam tão alto que quando falamos alguma coisa, ninguém consegue ouvir.Jesus foi a encarnação viva da verdade “Eu sou o caminho, a verdade...”Jô 14.6

2 - O Terceiro elemento a ser avaliado é o ouvinte. (nossos alunos).Para quem estamos falando, que são, de onde vêem, o que realmente necessitam, o que lês estão buscando aqui?Jesus mostrou um profundo interesse a todos de forma particular e especial, pois sabia que eram diferentes as necessidades de cada um. Não só mostrava interesse, mais ia sempre ao encontro de seus discípulos para solucionar seus problemas.Isso também, revela uma qualidade de seu caráter que sempre foi de servir.
“Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” Mc 10.45.Certa feita alguém disse: Quem serve, serve. Quem não serve, não serve.

3 - O Segundo elemento a ser avaliado é o conhecimento.O nosso nível de conhecimento, revela o quanto temos para dar e como vamos ensinar.Nesse particular, Jesus também se mostrou perfeitamente qualificado.Desde os 06 anos, todo menino judeu ia para as escolas aprender  especificamente a Lei.E Jesus com maestria revelou seu profundo conhecimento das escrituras ao confrontar o diabo com autoridade usando a própria  palavra “esta escrito” MT 4.1-11 e tambem quando observamos nas varias citações que fez dos livros dos profetas Isaias,Daniel, Miqueias e principalmente os salmos.E também uma grande prova de seu conhecimento é quando no caminho de Emaus explicou os ensinos das escrituras  principalmente acerca da sua pessoa.
“E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras.” Lc 24.27
Levando em consideração esses três principais elementos para desenvolvermos uma pedagogia eficiente, precisamos também pensar sobre outra questão importante.

A etimologia da palavra pedagogia, significa que esta ação é a arte de educar, e educar significa deixar marcas.

Ninguém até hoje, deixou tantas marcas positivas, saudáveis na vida da humanidade como Jesus, seus métodos de ensino foram as parábolas, orações, milagres e principalmente várias perguntas que promoviam o diálogo , a criatividade e o crescimento na quebra de muitos paradigmas sociais e religiosos.Com isso Jesus leva a todos aqueles que se matriculam na escola da graça de Deus  a uma nova visão  pedagógica,onde a teoria e prática fazem parte da mesma moeda,como duas asas do ensino. Sem uma é como um pássaro de uma asa só, que voa em círculos.Porém Jesus fez uma clara opção pela prática em relação ao discurso e a fala, caracterizando assim a sua pedagogia como a pedagogia do caminho, a pedagogia do encontro, ou seja, de estar junto de... , com pessoas.

Mais, há também uma outra maneira onde o autor  JM PRICE no seu livro “ O MESTRE POR EXCELENCIA da editora Juerp- Ed 1980 ” traduz de forma muito preciosa o significado e a riqueza das mais diversas formas que Jesus passa os seus ensinamentos, onde ele diz que a pedagogia de Jesus é a arte de abrir os olhos.

Isso fica muito claro ao lermos o texto de Lucas 24.13-35.Essa narrativa nos ensina que era domingo, o domingo da ressurreição de Jesus. Dois de seus discípulos desanimados e decepcionados com a morte do Mestre, decidem ir até uma aldeia chamada Emaús, cerca de 60 estádios ( aproximadamente 11 Km) de Jerusalém. Imaginemos aqui 2 horas de caminhada bem tranqüila, tempo suficiente para muita conversa, muito desabafo e questionamentos. Aliás  isso foi o que não faltou àqueles dois discípulos.Pensavam que o projeto de Deus, em Cristo havia fracassado. Toda esperança de redenção não mais se fazia presente no coração daqueles homens.


Através dessa narrativa vamos observar a didática e a pedagogia do Mestre dos Mestres, onde através de algumas lições nossos olhos possam estar se abrindo mais.




  1. O ensino da observação:Lc 24.13-15: Ao ver esses dois homens desesperançados, Jesus se aproxima e começa a caminhar com eles, mas nesse dado momento somente observando e ouvindo seus questionamentos. O método de Jesus parte do princípio que antes de dar qualquer orientação é preciso ouvir. No desejo de ensinar alguém é preciso primeiramente ouvir. “ seja pronto a ouvir e tardio ao falar”

  1. O ensino do diálogo Lc 24.16 18A partir desse trecho do caminho,depois de ouvi-los e ter tomado conhecimento da situação,o Mestre quebra o silêncio e pergunta “ Que é isto que vos preocupa e de que ides tratando a medida que caminhais?” Cléopas um deles respondeu não sabes o que aconteceu nesses últimos dias em Jerusalém?Jesus poderia ter colocado um ponto final nessa conversa após ter ouvido essa resposta. Mas, Jesus continua promovendo esse diálogo a fim de esclarecer todas as dúvidas e livra-los das angústias.

  1. O ensino da memória: Com uma simples pergunta Quais? Jesus leva aqueles dois homens a recordar a história, a fim de saber com mais detalhes o que realmente estava provocando tanta decepção. Certa feita alguém disse que recordar é viver. E foi isso que Jesus provocou na mente e no coração deles. Quando estamos ensinando alguém estamos abrindo lhes os olhos, neste caso, trazendo a memória , fazendo viva novamente a história . E com isso produzindo saber. Alguém disse que nossa fala faz história através das lembranças da memória.

  1. O ensino do risco Lc 24.25-28: Ao continuar a conversa indignado com a falta de memória de seus discípulos por terem se esquecido da parte final e mais importante da história, por um dado momento pois em risco a sua estratégia pedagógica, chamando duramente a atenção deles.É impossível implantar um trabalho educativo eficaz sem correr risco através da correção e disciplina.

  1. O ensino da comunhão Lc 24.28-31:O que a gente aprende aqui nesse dado momento da caminhada é que a presença de Jesus nesse tempo com eles já pode nos mostrar transformação em seus corações.Eles estavam sentindo conforto e segurança com a presença do Mestre, a ponto de pedir para que Jesus não fosse embora e sim permanecesse com eles.A partir disso vemos que a presença de Jesus após ter participado do partir do pão os seus olhos se abriram.A comunhão do Mestre traz uma visão nova para aqueles que estão sem esperança.

  1. O ensino do compromisso Lc 24.32-35:Após essa caminhada juntos, Jesus se ausenta e como um paradoxo da lição anterior o que podemos aprender nisto é que, após ser restaurada a alegria, a confiança e a fé, Jesus percebe que ao voltarem para Jerusalém testemunhando que Jesus verdadeiramente havia ressusssitado, o Mestre vê seus discípulos no compromisso da proclamação e o viver da história continuando a missão.Nenhum ensino se justifica se ele não provocar transformação, deixar marcas de um compromisso com uma nova vida.

A  pedagogia eficaz, é aquela que transforma vidas, e somente em Jesus podemos desenvolver essa pedagogia efetivamente.

Que o Senhor nos ajude a termos sempre um coração ensinável, a fim de que possamos assim, ensinar muito mais.